Romilton Ferreira da Silva, pai da
menina Beatriz Angélica, esteve presente na manifestação que ocorreu na
noite desta quinta – feira (11), na Praça da Catedral, em Petrolina.
Romilton explicou que se manteve afastado, juntamente com sua esposa,
nos outros atos em busca de justiça, por ordens médicas, visto que a
saúde estava abalada devido a forte emoção. Além disso, eles estavam
reunindo forças para lutar no momento certo.
“Não tínhamos condições de acompanhar as
manifestações, as mobilizações nas redes sociais, mesmo com vontade de
estar junto, de estar seguindo com os companheiros, pessoas que
apareceram que a gente nem conhecia, com familiares. A gente foi, a
princípio recomendado pelos nossos médicos. O nosso corpo não
funcionava, a mente não funcionava, o organismo, o coração, muda os
batimentos, pressão sobe. É desumano, o que eu passei foi desumano,
fizeram comigo a pior coisa que podiam ter feito a um ser humano, mas
depois que a gente viu as pessoas se movimentando, a gente acompanhava
nas redes sociais, a gente se emocionava”, disse.
Romilton contou que nos primeiros dias,
após a morte da filha, eles haviam perdido as forças e a fé na
humanidade. Que foi difícil encarar a vida depois de um crime bárbaro
como esse. “A gente não conseguia andar nem com nossos próprios pés, não
raciocinávamos, todos os sentimentos se misturavam: desespero, dor,
ódio. Esse golpe foi fulminante, perder um filho é como perder a
expectativa de continuar vivendo”, lamentou.
Ele salientou que não foi fácil
participar do movimento, mas que o carinho e a solidariedade das pessoas
os ajudaram a se manterem firmes para enfrentar a realidade e clamar
por justiça. “Foi reconfortante sentir o abraço da pessoas, recebemos as
orações, as palavras de conforto, o apoio, só tenho que agradecer.
Chegou a hora dos pais de Beatriz tomarem a frente nessa luta”.
Romilton revelou que, mesmo afastados
das manifestações, os familiares mantinham contato direto com os
investigadores e policiais envolvidos no caso e que possuem convicção de
que o caso será solucionado em breve. A família reforça que as pessoas
continuem orando e enviando energias positivas, pois “quando a
oração vem do justo, se tem resposta”, finaliza.
Edenevaldo Alves