Kerry realizou estas declarações em entrevista coletiva com o ministro
das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e o enviado especial da
ONU para a Síria, Staffan de Mistura, após o encontro de hoje em Munique
(sul da Alemanha) do Grupo Internacional de Apoio à Síria.
O secretário de Estado americano ressaltou que só se poderá conseguir
uma trégua duradoura na Síria e a melhora da ajuda humanitária à
população civil se todas as partes envolvidas nas negociações
trabalharem com a Rússia.
Kerry esclareceu que exigir a cessação da violência é mais efetivo que a
busca de uma trégua, já que esta última tem implicações legais -
condições prévias - que a primeira não tem.
Além disso, salientou que, enquanto em algumas ocasiões anteriores o
grupo havia "encorajado" a alcançar uma trégua, desta vez se "decidiu
especificamente um processo e um calendário, e se concordou em fazer
tudo o que esteja" ao alcance dos países envolvidos para conseguir este
objetivo.
Kerry antecipou, além disso, o compromisso de todos os países que
formam o grupo para "acelerar e ampliar" de maneira imediata a entrega
de ajuda humanitária à população civil na Síria.
O secretário de Estado destacou que este acordo será implementado ainda
nesta semana e começará a ser aplicado nas áreas mais afetadas, as
rurais, as remotas e as sitiadas, entre elas a cidade de Madaya, mas que
acabará sendo colocado em prática em todas as regiões do país.
Lavrov, por sua parte, destacou como um dos avanços mais significativos
do acordo alcançado em Munique a intenção da Rússia e da coalizão
liderada pelos EUA de cooperar no âmbito militar.
"É uma mudança qualitativa que estamos pedindo há muito tempo e agora aplaudimos", comentou Lavrov.